Guerra Civil em Moçambique (1975-1992)

 

     
   

Guerra Civil em Moçambique (1975-1992)

A Independência, 25 de Julho de 1975, foi o inicio não de uma Era de prosperidade, mas de um conflito aberto que degenerou rapidamente numa catástrofe: uma longa guerra civil que fez mais de um milhão de mortes e quatro milhões de deslocados, destruindo todas as estruturas do país. Em vez do progresso, Moçambique, tornou-se um dos países mais pobres do mundo, vivendo de ajudas da comunidade internacional.

Quais as causas desta tragédia?  Vejamos algumas das mais referidas desta horrível tragédia.

 

Colonialismo

Para muitos moçambicanos, a principal causa continua a ser atribuída ao colonialismo português: Portugal não teria preparado devidamente os negros para assumirem o poder em Moçambique. Trata-se de um argumento afinal de contas extensível a todas as colónias europeias.

Na verdade, a lógica de administração desta colónia não era diferente de qualquer outra colónia europeia: - Acima de tudo procurava-se perpetuar o domínio destes territórios pelas metrópoles.  No caso de tal se revelar difícil ou impossível de manter, o objectivo passava a ser a sua transferência para os brancos locais, aí nascidos ou emigrados. A colonização implicava que os "saberes" e "saberes-fazer" essenciais para o funcionamento da economia, fossem na pratica monopolizado pelos brancos.

O sistema de ensino destinado aos negros, visava sobretudo torná-los aptos para servir o próprio sistema colonial, integrando-os nos valores coloniais da metrópole. De acordo com as necessidades de cada colónia, o sistema era mais ou menos desenvolvido, mas sem nunca colocar em causa o domínio dos brancos.

Foi por esta razão que todas as colónias que acederam à Independência, nomeadamente em África, após a 2ª. Guerra Mundial, manifestaram uma enorme falta de quadros para assegurarem a respectiva administração do Estado e da estrutura produtiva (empresas, fazendas, etc.). Moçambique não foi nenhum caso excepcional. O problema não está todavia apenas aqui.

A seguir à Independência, a Frelimo, não tardou em hostilizar os brancos que na sua maioria haviam decidido ficar. As suas empresas e terras foram nacionalizadas,etc. Promoveu a exaltação dos valores rácicos, mesclados de nacionalismo africano. O resultado foi a debandada em massa dos brancos (1975-1976). Na sua maioria estes acabaram por temer o pior: um massacre idêntico aos que em África ocorrem com alguma frequência desde os anos cinquenta do século XX.  

Esta situação acabou por agravar a situação no país, dada a raridade de quadros.

 

  Crenças e Estruturas Tradicionais

A Igreja Católica foi identificada com o colonialismo, e não tardou em ser ostracisada. As suas escolas e outros bens foram nacionalizados. O clima era de intimidação e assim se manteve durante anos e anos. 

Neste processo, apenas a religião islâmica parece ter sido poupado, o que terá contribuído para a sua expansão em Moçambique. 

As estruturas tradicionais (chefes locais) nas várias étnias, sobretudo depois de 1977, foram igualmente secundarizadas e colocadas a ridículo.  

O resultado foi um continuo processo de desagregação social, o aumento das tensões internas provocado por um contínuo afrontamento das crenças e estruturas tradicionais do país.

 

 
  Ideologia Marxista-Leninista-Maoista

A Frelimo, sob a direcção de Samora Machel, desde os anos 70 que se aproximava de posições pró-chinesas (maoistas).Estas posições a seguir à Independência evoluem para uma adesão à ideologia marxista-leninista, e aproximação ao bloco da ex-União Soviética. O III Congresso da Frelimo (1977), acaba por consagrar esta orientação, assim com o projecto da construção de um Estado Socialista e a criação de um Homem Novo.

O modelo da nova sociedade, era segundo Samora Machel, o experimentado nas Zonas Libertadas durante a guerra colonial. Na sequência destas posições são tomadas um conjunto de medidas, tais como:

Planeamento centralizado. Tudo passa pelo Estado, e este confunde-se com o Partido (Frelimo) que tudo controla e dirige. Quem ousa colocar em causa o Partido é rótulado de ignorante, tribalista, traidor, colonialista, etc., e reenviado para um campo de reeducação inspirado nos modelos chineses, soviéticos ou cubanos;

Aldeias comunais. Os aldeamentos tradicionais forma substituídos por um modelo esteriotipado definido pelas cúpulas do Partido (Frelimo). Em cerca de 5 anos, mais de 2 milhões de camponeses foram transferidos para estas aldeias construídas em lugares definidos pelo Estado, perdendo deste modo as suas raízes à terra onde haviam nascido.

O entusiamo revolucionário inicial cedo acabou por dar lugar à intriga entre os dirigentes, ao despotismo dos membros do Partido, à paralesia da máquina do Estado.

A população desapossada das suas aldeias, transferida à força para terras e aldeias sem história, acaba numa surda revolta apoiando todos aqueles que querem derrubar o novo regime.   

 

 
  Linha da Frente

A seguir à Independência, de forma unilateral Moçambique, resolve aplicar integralmente as sanções decretadas contra a Rodésia, encerrando as fronteiras, fechando os portos, linhas de caminho de ferro e estradas aos produtos de e para este país. Moçambique torna-se igualmente na principal base para os guerrilheiros da ZANU, o movimento nacionalista que combate o regime branco da Rodésia (Zimbabué)

Moçambique apoio o ANC no seu combate contra o regime branco na África do Sul.  

O preço a pagar por estas posições, como era de esperar seria demasiado alto. A reacção destes países não se fez esperar. A Rodésia promoveu um movimento de guerrilha, a Renamo. A África do Sul, fechou as portas à preciosa emigração de moçambicanos para as minas do transval. 

A sobrevivência de Moçambique passou a estar ligada ao rápida queda dos regimes brancos da Rodésia e da África do Sul, assim como aos crescentes apoios vindos do ex-Bloco da União Soviética.  

 

 
  Renamo

A Renamo foi de inicio um grupo de mercenários recrutados pelos serviços secretos da Rodésia, onde tinha aliás a sua base de apoio. O seu objectivo era desestabilizar o Governo de Moçambique, obrigando-o a recuar nas suas posições e eventualmente a provocar uma mudança de regime. As suas acções eram marcadas por uma enorme ferocidade: massacres de populações, destruição de infra-estruturas, etc. A imprensa internacional, alinhava com a Frelimo, classificando a Renamo, como "Bandidos Armados", cujo principal actividade era espalhar o terror entre as populações, matando, roubando, destruindo tudo o que não conseguiam levar e violando as mulheres que encontravam.

Apesar de ter cessado o apoio da Rodésia, em 1980, a Renamo prosseguiu a sua actividade, transferindo a sua sede para a África do Sul. A guerra civil devastava em meados dos anos oitenta todo o território moçambicano. 

O Acordo entre Moçambique e a África do Sul, em Inkomati, acabou por não limitar a acção da Renamo. Muito pelo contrário. Esta contava com um crescente apoio da população, o que lhe permitia actuar em todo o território moçambicano, não carecendo de grandes apoios externos. 

No plano internacional, a Renamo deixa de ser vista como um grupo de criminosos, para ser encarada como um grupo de combatentes da liberdade contra os regimes marxistas. 

 

 
  A Guerra Civil terminou, em 1992, sob a égide da Igreja Católica. O resultado de 27 anos de lutas foi um país devastado, uma população esfomeada vivendo de ajudas distribuídas pela comunidade internacional. Esta é a única conclusão que recolhe a largo consenso.

 

 
 

Moçambique

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